Voltemos um pouco na história do jornalismo, precisamente no século XV. Em 1605 ou 1609 – não há consenso sobre as datas, nem ao menos sobre o local -, nascia o primeiro jornal impresso do mundo, há mais ou menos 400 anos. O fato ocorreu em Bremen, Alemanha, ou em Estrasburgo, situado atualmente na França, mas que na época pertencia ao Império Alemão. Não acredito que esteja equivocado, mas o quadrigentésimo aniversário desse imprescindível meio de comunicação não repercutiu tanto na imprensa, nem mesmo nos próprios jornais. Ironia? Talvez.
O fato é que o jornal é imprescindível às necessidades contemporâneas de entender tudo que se passa ao nosso redor. O (bom) jornal cumpre integralmente essa árdua e difícil tarefa. Com o surgimento da Internet, no enntanto, o atraso da informação do jornal – que já existia, desde sua criação – agravou-se em função das atualizações constantes que a rede recebe. Se um fato ocorre às 15h de quarta-feira, é preciso esperar o jornal de quinta-feira para ler sobre o ocorrido. Na Internet, com atualizações em tempo real (“minuto-a-minuto”), tem-se uma boa noção do que ocorreu já às, por exemplo, 15h20min do mesmo dia, e muitas vezes antes, quando há cobertura jornalística envolvida.
A Internet, por sua vez, não desmerece o jornal. Há os pontos negativos envolvendo o meio digital. Como o conteúdo é feito muitas vezes por usuários comuns – em tempos de Web 2.0, o usuário comum praticamente iguala-se ao jornalista –, a publicação de informações erradas e/ou ofensivas é freqüente. A credibilidade dessas informações, naturalmente, é posta em dúvida, algo que não ocorre no jornal. Os internautas que colocam conteúdo na rede normalmente não dispõem do equipamento profissional que uma equipe de repórteres de um jornal de boa circulação possui. O pequeno – e ao mesmo tempo definitivo – diferencial do jornal para a Internet é este: a qualidade com que as informações são passadas. Por mais que na nova versão da Web, a 2.0, os usuários tenham o mesmo, digamos, “poder” do jornalista de transmitir informações, o mesmo não ocorre no jornal: para informar determinado público, seja ele qual for, é preciso, no mínimo, do diploma de jornalista. Não irei entrar em discussão sobre esse assunto.
O jornal não vai morrer, muito pelo contrário. Se nesses quatrocentos anos moldamos esse meio de comunicação para atender a nossa própria demanda por informação, nos próximos quatrocentos, quinhentos, mil anos continuaremos a executar a mesma tarefa. Podemos pegar o exemplo do rádio: com a chegada da televisão, quantas pessoas pensaram que o rádio talvez caísse em desuso até sua total extinção? As pessoas têm uma noção de convergência de mídias demasiadamente exagerada; é obvio que rádio, jornal, televisão e internet irão convergir cada vez mais – a tendência é essa, todos sabem -, entretanto haverá um limite, onde cada meio de comunicação irá sustentar-se pelo seu diferencial: a televisão irá trabalhar com a plástica das notícias, usando as nuances das mesmas para obter imagens belas e informativas; as rádios irão focar-se cada vez mais na diversidade da grade de programação, usufruindo do grande fluxo de informação que lhe é possível transmitir em tempo real; o jornal apostará suas fichas no papel digital, tornando possível a atualização constante do conteúdo durante o dia; ainda assim, contará com colunistas e escritores, além de repórteres qualificados para realizarem matérias especiais de assuntos interessantes à maioria da população; a Internet fará um apanhado de tudo isso e resumirá os fatos em suas páginas, mesclando conteúdo multimídia e promovendo a interação com o público.
Todos os veículos de comunicação terão o seu diferencial e isso fará com que eles coexistam, de modo que sempre haverá público suficiente para televisão, rádio, jornal e Internet. Esse público será faminto por informação e apelará para qualquer um dos quatro para saber o que está acontecendo ao seu redor, seja na sua região ou no mundo. O grande papel da imprensa a partir do século XXI será transmitir informação de qualidade para o indivíduo, não importa onde ela se encontre.
Postado por: Filipe Garcia